Poder legislativo Municipal de Montalvânia-MG

DIA 13 DE JUNHO É ANIVERSÁRIO DO FUNDADOR DE MONTALVÂNIA: ANTÔNIO LOPO MONTALVÃO

O visionário Antônio Lopo Montalvão nasceu dia 13 de junho de 1917, em Nhandutiba, zona rural de Manga. Ainda jovem, se mudou com a família para Goiás, onde, em uma situação de legítima defesa que terminou em morte, se viu caindo no mundo para escapar da perseguição que se seguiu.
 
 
 
Percorreu o país até alcançar Porto Alegre. Traçou uma rota para o Oriente, com planos de chegar à Índia via Londres, mas ficou pelo caminho, em Buenos Aires, onde viveu por dois anos. Autodidata, tendo estudado formalmente até a 3ª série, se ocupou da leitura de clássicos, retornando ao Norte de Minas em 1949, decidido a desenvolver a região no que considerava sua missão cósmica na Terra.
 
Para isso, se estabeleceu na vila de Piracueba, hoje São Sebastião dos Poções, distrito de Montalvânia. Uma das primeiras novidades providenciadas foi a energia elétrica. Com recursos próprios, instalou postes e fiação. Colocou um motorzinho a óleo e mostrou energia pro povo”, afirma o lavrador Francisco Gonçalves da Silva, de 76, ao lado da loja de material de construção que abrigou a primeira casa comercial do fundador. Segundo dizem, não foram poucos os que correram assombrados quando acesas as primeiras lâmpadas, chamadas pelos moradores de “cabacinhas de fogo”. “Não tem outro com uma história dessas, não. Antônio Montalvão foi um pioneiro”, afirma Joaquim Cardoso da Silva, do alto de seus 93 anos. “Dos que desbravou aqui tudo, só existe eu. Sou o último fundador da cidade que existe vivo”, atesta.
 
 
No sertão isolado do início dos anos 50, a campanha pelo progresso começava a contrariar o poder local. “O negócio do telefone, nós começamos a linha pra Manga, e fomo muito homem. Chegou um oficial de Justiça com mandado do juiz barrando o serviço, pra nós não cortá nem uma árvore pra frente mais”, conta Joaquim. “Aí foi quando começou a rixa, foi dureza, moço. Teve tiroteio aqui, teve um bocado de coisa”, testemunha o pioneiro.
 
 
Tendo censuradas suas iniciativas, Montalvão viu como saída a criação da própria cidade, o que a seu ver traria independência do mando dos coronéis. Usando como pretexto a agricultura, tomou empréstimo no Banco do Brasil e comprou 724 hectares da Fazenda Inhaúmas, na confluência dos rios Cochá e Poções. “Quando barrou lá, ele veio e comprou aqui”, explica Joaquim. Segundo ele, havia uma parte menor de pasto e o restante era mata fechada, cuja primeira tarefa era derrubar. “Baseadamente uns 10 homens que nós viemo. Vinha todo domingo à tarde e voltava todo sábado, tudo a pé.” Aberta a primeira clareira no que hoje é a Praça Cristo Rei, a cidade foi fundada em 22 de abril de 1952, com uma faixa esticada entre duas árvores. Mas ninguém acreditava. “O pessoal chamava ele de louco”, conta Zelito Montalvão.
 
 
Montalvão não fazia caso. Tanto que espalhou um jornal próprio pelo Nordeste, oferecendo lotes para quem quisesse morar ou trabalhar. “Ele não queria gente que tava junto dos coronéis”, conta Zelito. O povoado crescia e o cerco aumentava. “Era muita tocaia, jagunço esperando em estrada para matar. Como ele continuava vivo, surgiu a lenda de que virava toco para escapar”, explica. Safando-se de emboscadas e calculando os votos de Poções e da nascente Montalvânia, se candidatou à Prefeitura de Manga, a sede do poder político local, sendo eleito na segunda tentativa, em 1958. Com uma oposição inconformada com a derrota e que impossibilitava qualquer ambiente administrativo em Manga, após um atentado promovido por coronéis, em 1960, Montalvão transfere a documentação da prefeitura em sigilo, passando a despachar a partir de “sua” Montalvânia.
 
 
Descoberto o movimento, Manga é cercada por homens armados e a disputa política pega fogo, só apagado com “um acordo com os coronéis e as autoridades, para devolver a prefeitura para Manga, em troca da emancipação de Montalvânia”, lembra o herdeiro do fundador. Em uma manobra jurídica, foi emancipado o distrito de São Sebastião dos Poções, alterada a localização da sede do município e simultaneamente mudado o nome para Montalvânia. Montalvânia foi direto de povoado à condição de cidade, com ruas e avenidas planejadas e batizadas com nomes de grandes pensadores da história da humanidade.
Quem conheceu Montalvão garante que de louco ele não tinha nada. Ou não parecia ter. Homem de fala articulada, opiniões firmes e cultura vasta, sua figura impunha respeito e medo.
 
 
– Ele fitava o olho da pessoa e conseguia o que queria, lembra Leonardo Marinho, amigo do tempo de escola.
– Minha avó dizia que ele virava toco de pau, conta Josenildo Santos, morador da cidade.
 
 
Outras versões falam dele virando onça, saco de feijão, ficando invisível. As histórias de um homem tomado por poder sobrenatural desceram as barrancas do Cochá, as águas do São Francisco e ganharam o sertão.
 
 
Antônio Montalvão morreu em 1992, aos 75 anos, de ataque cardíaco. Morreu só, deitado na rede, na sede do Instituto Filantropo Cochanino, cercado de gatos que julgava serem encarnações de divindades hindus.
 
 

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